Divorciados culpam redes sociaisAdvogados garantem ainda que as mensagens de telemóvel são fatais para descobrir casos deinfidelidade.
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Nos escritórios dos advogados especializados em divórcios entram cada vez mais clientes que se querem separar porque descobriram que o cônjuge os traiu com um 'amigo' do Facebook , do Twitter ou do Second Life . Não há estatísticas oficiais a comprová-lo, mas a maioria dos dez advogados de Direito da Família ouvidos pelo Expresso revela que cerca de um quinto dos casos de divórcio que resolveram nos últimos dois anos teve origem numaffair - real ou imaginário - iniciado numa rede social. E o número não tem parado de crescer. Cibertraídos e cibertraidores têm, regra geral, menos de 40 anos, um casamento com pouco mais de uma década e um ou dois filhos menores de idade. "Homens e mulheres recorrem em igual percentagem aos truques das redes sociais", refere Nuno Cerejeira Namora. O advogado já teve em mãos casos de maridos e mulheres que criaram perfis falsos no Facebook para conhecerem novas pessoas, outros que foram apanhados em flagrante depois de várias horas de conversa de cariz sexual mais ou menos explícitas e de divulgarem fotos "em situações duvidosas". Uma das histórias mais sui generis é contada pela advogada Rita Sassetti. Tudo começou quando uma cliente decidiu adicionar um antigo namorado na lista de amigos do Facebook. Alguns cliques depois, entraram em contacto e a relação antiga reacendeu-se. "O que começou por ser apenas uma brincadeira acabou por levar ao fim de dois casamentos: o dela e o do ex-namorado." A advogada, que considera o Facebook "a rede social para o adultério por excelência", lembra que as 'facadinhas' no matrimónio não são culpa das novas tecnologias, mas dos "casamentos de fachada". Para Dantas Rodrigues, é a falta de confiança que mina uma união. Os últimos dois casos que defendeu parecem saídos do mesmo guião: um marido fica com ciúmes ao descobrir que a mulher adiciona como amigos no Facebook homens que ele não conhece e por quem se sente ameaçado. "Passar dias e noites a especular se existe ou não infidelidade, virtual ou real, levará mais tarde ou mais cedo à destruição de um casamento." Nas contas de Ricardo Candeias, os seus casos de divórcio desencadeados por redes sociais no último ano são superiores a 20%. A percentagem dispara quando entram na equação outras novas tecnologias. "Em casos de infidelidade, 80% das relações são desfeitas depois de o cônjuge apanhar uma mensagem escrita ou uma imagem do telemóvel do parceiro." Telemóvel no porta-luvasA ideia é partilhada por outros advogados, que revelam os truques mais comuns: os homens infiéis escondem um segundo telemóvel no porta-luvas ou no porta-bagagens, junto à roda sobresselente do carro. As mulheres têm sempre uma mala a tiracolo onde podem guardá-lo sem levantar suspeitas. Um dos maiores estudos feitos, em Portugal, sobre relações pessoais e comportamentos sexuais através da Internet foi elaborado pela psicóloga clínica e sexóloga Ana Carvalheira. Foram ouvidos 1266 utilizadores regulares da Internet (homens e mulheres em igual número) entre os 17 e os 71 anos. Um quinto dos inquiridos referiu ser casado e mais de metade (52,4%) declarou ter uma relação de compromisso. Isso não impediu que dois terços (75,4%) afirmassem ter mantido na Internet algum tipo de relação mais íntima. Um dos resultados (divulgados em 2005) que mais a surpreenderam foi o facto de a grande maioria (84,7%) ter declarado que teve pelo menos um encontro real com alguém que conheceu na Net. Mais: "Muitas dessas relações atingem um grau de intimidade elevado." No consultório, Ana Carvalheira segue vários casais em rutura porque um dos parceiros iniciou uma relação extraconjugal através da Net. Mais concretamente no Facebook. "É um bom instrumento para procurar novas pessoas e iniciar relações." As sociólogas da família Karin Wall e Cláudia Casimiro (do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa) lembram que não são as redes sociais que provocam os divórcios. No máximo, aceleram todo o processo. "São apenas um novo ponto de encontro e local de convívio." Ou seja, um substituto moderno de cafés e tertúlias. O resto é da inteira responsabilidade de um mau casamento. Três perguntas a Paulo Veríssimo, professor e investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Para quem é casado é fácil prevaricar numa rede social sem ser apanhado? Que conselhos dá a alguém para que tenha os seus dados pessoais resguardados? Há maneiras de não deixar qualquer rasto aos amigos ou aos cônjuges? Alguns números 28milhões de divórcios foram causados pelo Facebook, concluiu um estudo realizado por advogados britânicos. Em Inglaterra, esta rede social já conduziu à maioria das separações nos últimos meses. A razão mais apontada tem que ver com as conversas de teor sexual com outros utilizadores 3milhões de casamentos celebrados nos Estados Unidos em que os cônjuges se conheceram através de uma rede social. Especialistas garantem que a taxa de divórcio é maior entre estes casais do que entre os que iniciaram uma relação sem recurso a novas tecnologias 5%dos cibernautas são viciados na Internet. Um estudo inglês demonstra que a taxa de divórcio entre estas pessoas é muito superior à média Texto publicado na edição do Expresso de 5 de fevereiro de 2011 |
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