terça-feira, 21 de agosto de 2012

[STBSEB:8030] A visão preconceituosa do bisneto de Darwin

A visão preconceituosa do bisneto de Darwin

 

Por Michelson Borges

Para quem não sabe, Matthew Chapman é bisneto de Charles Darwin. Mas ele não seguiu os passos do bisavô naturalista. Chapman é jornalista e cineasta e tem aparecido na imprensa nacional graças ao filme A Tentação, que entrou em cartaz na sexta-feira passada (10/8) nos cinemas brasileiros. Chapman escreveu alguns livros sobre fé e descrença, sempre tentando colocar a suposta razão materialista em oposição à suposta irracionalidade da religião. Isso explica a trama de seu novo filme: um triângulo amoroso e trágico entre o ateu Gavin (Charlie Hunnan), Shana (Liv Tyler) e seu marido religioso Joe (Patrick Wilson). Com seu filme, o cineasta não quer apenas entreter; seu objetivo é discutir, mais uma vez, fé e razão – ou pelo menos o que ele entende sobre essa discussão.

 

Em entrevista concedida ao portal UOL, Chapman explica que, com A Tentação, ele quis fazer um thriller sobre os dois lados opostos da fé americana. Ele diz que um “é secular, sofisticado e educado; e outro, que é bíblico, homofóbico, subjuga as mulheres e acredita que o Universo só tem dez mil anos de idade. E tem muita gente que acredita nisso nos EUA”. Note como a visão de Chapman é preta e branca, totalmente maniqueísta. Para ele, de um lado, estão os sofisticados e educados secularizados e, de outro, os religiosos homofóbicos, machistas e que acreditam no relato bíblico. Nada mais errado. Há gente secularizada que só pensa em consumo e diversão, explora pessoas a fim de alcançar seus alvos e não está nem aí para o bem-estar do próximo. Assim como há religiosos (eu diria que a maioria) que repudiam a homofobia (embora discordem do estilo de vida homossexual), o machismo e a violência de modo geral. (Detalhe: poucos criacionistas acreditam que o Universo tenha apenas dez mil anos.)

 

O cineasta ignora um espectro mais complexo

Chapman diz ainda que, “se a única coisa que está impedindo você de matar uma criança é porque Deus mandou você não fazer isso, você é maluco”. Mas eu pergunto: E se o motivo for o puro amor desinteressado implantado por Deus no coração humano? E o que dizer de religiosos que não apenas não matam crianças, mas dão a vida por elas? Chapman se esquece, como muitos outros ateus, que os regimes comunistas ateus levaram à morte muito mais gente – crianças, inclusive – do que distorções religiosas como a Inquisição, as Cruzadas e o terrorismo.

 

Para o bisneto de Darwin, “é óbvio que você não deve matar uma criança, você não precisa que alguém lhe diga isso”. Bem, ele devia ter dito isso – se pudesse, claro – para os espartanos que assassinavam crianças com defeitos e para os pagãos cananeus que as queimavam nos braços de um deus de metal oco e incandescente. Parece que para esses (e outros), o assassinato de crianças não era tão erradamente óbvio assim.

 

Chapman prossegue: “Se você analisar sociedades com menos envolvimento religioso, como Suécia e Escandinávia, os países tratam seus cidadãos melhor do que países como Irã, Iraque, Paquistão e Afeganistão, que fazem coisas atrozes às pessoas, a mulheres, crianças, artistas e homossexuais.” Já deu para perceber que o cineasta gosta de extremos e ignora todo um espectro mais complexo.

 

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