Irmãos,

"O Fundo do poço"
Dados apontam que 1,3 milhão de brasileiros estão consumindo o crack, a droga mais devastadora encontrada nas ruas
No Rio de Janeiro (RJ), dois indivíduos possuem realidades diferentes. Um é fotógrafo e têm 40 anos. Morador da Zona Sul, ganha a vida com seu equipamento de fotografia avaliado em R$ 20 mil. O outro tem 13 anos, mora na periferia, é servente de pedreiro e recebe R$ 120 por semana. Entretanto, eles têm algo em comum: o vício pela droga mais perigosa e destruidora encontrada nos municípios brasileiros, o crack.
A droga é uma mistura de cloridrato de cocaína (cocaína em pó), bicarbonato de sódio ou amônia e água destilada, que resulta em pequenas pedras, fumadas em cachimbos ou em latas de alumínio.
O crack proporciona uma sensação de euforia que dura pouco mais de dois minutos. "Quem usa o crack, está sob a ação de uma cocaína quase 80 vezes mais poderosa do que a cocaína comum, ou seja, que arrebenta com o organismo", diz a psiquiatra Maria Thereza Aquino, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e que durante 25 anos dirigiu o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad).
E foi o crack que fez o fotógrafo trocar seu equipamento de trabalho por30 pedrasda droga, todas consumidas no mesmo dia. E a mesma droga também obrigou o servente de pedreiro a gastar por meses, cada centavo do seu suado trabalho com inúmeras pedras.
A droga já tomou conta de boa parte das cidades brasileiras.
O Ministério da Saúde estima que 600 mil pessoas estejam consumindo o crack no Brasil. Entretanto, pesquisadores acreditam que o número real é mais do que o dobro estimado pelo Governo Federal, 1,3 milhão de brasileiros. A psiquiatra faz uma avaliação assustadora para os usuários que continuarem consumindo o crack.
"Deste número, em cinco anos, a metade estará morta. A outra metade terá a saúde comprometida por causa do uso excessivo da droga".
Segundo especialistas, de todas as drogas, o crack é a mais cruel. Por ser inalada, atinge diretamente o pulmão e o cérebro em cerca de oito segundos.
Como o efeito é rápido, o usuário quer consumir cada vez mais, para manter a sensação de prazer constante. Com a frequência, o usuário pode se tornar dependente em menos de cinco vezes de utilização. As últimas pesquisas sobre a droga mostram que, em geral, 30% dos usuários de crack morrem nos primeiros cinco anos de uso.
"O uso do crack compromete a vasculatura cerebral, aumentando consideravelmente os riscos de um acidente vascular cerebral", explica o psicólogo especializado em dependência química, Marcelo Álvares, diretor de saúde mental do município de Itapetininga – SP.
Além do mal que faz a saúde, o crack contribui para que seus dependentes cometam pequenos e às vezes até grandes delitos, para conseguir dinheiro para comprar a droga.
Tudo começa no álcool
A grande maioria dos dependentes químicos que consomem o crack não começou por ele. A porta de entrada das drogas consideradas "pesadas" ainda são as drogas lícitas, como o álcool e o tabaco.
A facilidade do comércio e a falta de fiscalização fazem com que cada vez mais cedo crianças e adolescentes aprendam a fumar e a beber demasiadamente. Posteriormente, alguns acabam migrando para as drogas proibidas, como a maconha e a cocaína.
Os mais ousados acabam indo para o temido crack, o que os usuários em recuperação julgam ser a droga que os levam para "o fundo do poço".
De acordo com informações do DENARC (Departamento de Investigações sobre Narcóticos) à Revista Época, o crack é mais rentável que a cocaína. Ainda segundo o DENARC, o grama de cocaína pode custar até R$15, dependendo da pureza. Com essa quantidade, o traficante faz diversas pedras de crack, que custam entre R$3 e R$5.
"A pessoa chega a consumir de20 a30 pedraspor dia. Sendo que, às vezes, esta mesma pessoa não consumiria nem R$ 20 de cocaína, e acaba consumindo R$ 300 de crack. Daí então, o crack tornou-se um mercado lucrativo para os traficantes", analisou a psiquiatra.
O aumento é preocupante
O aumento da comercialização, e consequentemente do consumo do crack são justificados por números. No período de um ano, a Polícia Federal apreendeu 250% a mais da pasta de cocaína, de onde são feitas as pedras de crack. Em 2009 foram apreendidos 1,4 tonelada em comparação com os 412 quilos apreendidos em2008. Aapreensão de pedras aumentou 37% no ano passado. Já o confisco da cocaína caiu 7%.
Até 2007, o NEPAD no Rio de Janeiro atendia cinco usuários de crack por semana. Hoje, 60% dos pacientes que procuram o órgão diariamente são usuários de crack, ou seja, de cada 10, seis fumam a pedra. "O perfil mais comum são crianças e adolescentes, mas também atendemos adultos", conta a psiquiatra.
De acordo com estimativas, 40% dos usuários de crack do Rio de Janeiros são de classe média. Eem São Paulo, o número de viciados em crack que ganha 20 salários mínimos sofreu um acréscimo de 155% nos últimos anos.
O trabalho do poder público ainda é pequeno
Em todo o Brasil, ainda falta estrutura e profissionais capacitados para dar conta dos milhões de dependentes químicos que estão "perdidos nas drogas".
No caso do crack, as chances de recuperação existem quando os usuários são internados em clínicas ou casas de recuperação, porém a maioria delas tem um custo, e que muitas vezes a família até estão dispostas a arcar, mas não conseguem.
"O poder público não faz nada pelo dependente químico. O passo mais importante que deve ser dado em relação a isso que estamos vivenciando é a prevenção. Nunca se fez nada pela prevenção", desabafa a psiquiatra.
Pesando nisso, no mês passado, o Governo Federal lançou o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack. O objetivo é diagnosticar o consumo do crack e suas consequências; mobilização, tratamento e reinserção social; informação e orientação; formação de recursos humanos e desenvolvimento de metodologias e enfrentamento ao tráfico.
"A repressão qualificada ao tráfico é importante, mas há necessidade de um forte trabalho social e de saúde pública. O crack é um grande desafio, pois é uma droga residual, com alto potencial de vício e de desagregação social, em que o usuário também trafica pequenas quantidades. Por isso, é fundamental unirmos esforços de todas as áreas", disse o Ministro da Justiça Luiz Paulo Barreto durante o lançamento do Plano.
Recuperação
Em2002, a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) acompanhou 131 usuários de crack tratado sem São Paulo. Dosdependentes monitorados, 33% conseguiram se recuperar, 20% morreram, 17% continuaram fumando a droga, 10% foram presos e 20% simplesmente sumiram, possivelmente continuaram com o crack.
As histórias de vida dos personagens citados acima foram contadas pelos profissionais do Nepad, instituição que capacita professores, desenvolve pesquisas e oferece atendimento psicanalítico e terapêutico aos usuários de drogas. "O paciente tem que querer parar. Isso é fundamental para a recuperação. De todos os pacientes de crack que atendi, perto de 200, de2008 a2010, só recuperei um. Foi o único que quis parar." Admitiu a psiquiatra.
Resgatando a esperança
Após verem o "fundo do poço", dependentes químicos se apoiam na espiritualidade para largar o crack
Imagine alguém que já trabalhou em ótimas empresas, ganhou bons salários, matriculou os filhos nos melhores colégios, foi muito amado e sempre considerado pela família como alguém exemplar. Aparentemente, uma pessoa com tais características deve levar uma vida muito boa e feliz. Infelizmente isto é um engano, pois de feliz não havia nada na vida do engenheiro Antônio Fernando Toscano, 47 anos, e de sua esposa "Sandra".
Tudo de mais precioso que envolvia o ciclo familiar do casal veio abaixo, como uma avalanche que leva embora tudo que está à frente. Toda a destruição foi causada nos últimos três anos, por uma droga já muito conhecida, o crack. Outros entorpecentes como cocaína e maconha já faziam parte da vida dos dois há mais de 30 anos, inclusive foi nas drogas que eles se conheceram, porém ninguém do círculo de convívio nem sequer os filhos desconfiava da situação. "Nesses 30 anos eu não dei dor de cabeça para ninguém, tinha meu trabalho, minha família, levava as crianças na escola, nunca fui preso".
À beira da destruição da própria vida, marido e mulher não tiveram outra saída: pediram aos filhos para que fossem internados. "Quem me deu socorro foram a minha filha e o meu filho, que me viram emagrecendo, e a minha geladeira que só tinha água. Então eles desconfiavam que havia algo errado."
O casal, que residia em Itajubá (MG), foi internado na Fazenda Esperança em Guaratinguetá (SP). Desde fevereiro deste ano, lá eles buscam uma transformação de vida e esperam o apoio da família para tocar em frente e superar todas as dificuldades do vício.
Diferente de Antônio e Sandra, a ex-secretária e jogadora de vôlei Maria Cecília Santos, de 40 anos, mais conhecida como Ciça, não terá ninguém a quem pedir socorro no dia em que cumprir o seu período de internação e voltar para casa. Está há seis meses na Fazenda Esperança, não tem nenhum parente, é órfã de pai e mãe, e diz que nos momentos de angústia busca na espiritualidade o refúgio para superar as dificuldades.
De acordo com o coordenador de uma das unidades da Fazenda Esperança em Guaratinguetá, Antônio Eleotério Neto, o essencial para a recuperação dos internos o é o "tripé" espiritualidade, convivência e trabalho. Metodologia utilizada há 28 anos e que hoje é propagada em 70 unidades, instaladas em oito países, além do Brasil.
"O crack é uma desgraça que veio para acabar com a vida de muitas pessoas", cita Neto, que também foi usuário de maconha na adolescência. Segundo ele um levantamento interno aponta que 99% dos internos chegaram ao local por causa do crack. Para ele, as outras drogas como maconha e cocaína são uma ponte para chegar ao crack. "Geralmente o dependente começa pelas drogas mais leves, com o tempo ele busca outras sensações", conta.
Dentro desse contexto, a Fazenda Esperança faz um trabalho focado na espiritualidade, buscando através da oração, formação, companheirismo e atividades diárias uma metodologia terapêutica e não clínica.
"Cabe a nós dar as ferramentas de acordo com a nossa proposta. Claro que o indivíduo chega aqui destruído por todos os males que a droga oferece, física e psicologicamente. Para isso trabalhamos a espiritualidade, ajudando-os nas suas dificuldades. Então temos todos os dias celebrações da santa missa, depois orientações sobre a convivência, pois não aceitamos discussão, agressão entre eles, e a questão do trabalho que faz parte do processo", explica o coordenador. Ainda de acordo com Neto, os trabalhos desenvolvidos estão baseados no encontro pessoal com Deus.
A fórmula de sucesso na recuperação dos internos proporcionou à Fazenda Esperança o reconhecimento como Associação Internacional de Fiéis pelo Pontifício Conselho para os Leigos, órgão ligado à Santa Sé.
Espiritualidade e tratamento
O Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Universidade Federal Paulista (Unifesp) revela que 13% dos jovens que se recuperam e não reincidem no vício se converteram a uma religião. O mesmo Cebrid aponta que 81% dos jovens que não usam drogas praticam uma religião e são protegidos pela presença de Deus na vida deles.
O Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ), Dom Antônio Augusto Dias Duarte, enfatiza as ações promovidas pela Igreja para reprimir o uso e dar estrutural aos dependentes, focadas na abertura de novos horizontes e ideais bem mais atraentes do que o prazer a a satisfação temporária oferecidos pelo crack.
A Pastoral da Sobriedade é uma dessas ações e está instalada nas dioceses e paróquias, inclusive encaminhando os dependentes à rede da Fazenda Esperança e outros centros de tratamento que trabalham a espiritualidade.
O coordenador do organismo na Diocese de João Pessoa (PB), Cícero Souza da Silva, explica que o trabalho consiste em ações de prevenção e recuperação aos dependentes. "É um trabalho de evangelização e com as famílias também".
De acordo com Cícero, a família tem um papel muito importante para que não haja recaídas. "Não adianta você recuperar o dependente se a família também não recuperou nada, se continuam aqueles procedimentos de o irmão beber, a mãe fumar".
Quando o tratamento é feito corretamente e o dependente volta a frequentar as reuniões da Pastoral, o índice de recuperação atinge a média de 50% a 60%. Para Cícero, os números são bastante satisfatórios e atingem os objetivos propostos. "É um trabalho muito bom porque salva vidas. Deus mostra o sempre caminho para a gente fazer isso com com gosto, com o coração e por amor".
O amor também é o ingrediente que dá sustentação às 100 mil pessoas apoiadas pelo movimento Amor Exigente – 60% das quais familiares de dependentes do crack.
Presente em 24 Estados brasileiros, o organismo trabalha a auto e a mútua-ajuda, não só com familiares de dependentes, mas vítimas de compulsão por sexo, jogo e até mesmo aqueles que querem compartilhar um novo projeto de vida. Segundo o coordenadora nacional da Federação de Amor Exigente, Mara Silvia Carvalho de Menezes, o foco é a prevenção em três níveis: primário (antes da chegada da dependência), secundário (direcionada a potenciais dependentes) e terciário (quando a dependência já se instalou). Ao todo, o programa conta com 10 mil voluntários em todo o País.
A exemplo do que pensa o paraibano Cícero, Mara pondera que família é essencial para barrar o crack. "É um instrumento muito importante para manter a sobriedade de um jovem. Aí é que entra a força do nosso movimento, porque é um programa de custo zero, onde as pessoas vão viver um projeto para que a família organizada se apoie".
O Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa foi instituído pela Assessoria de Imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em 2002, quando a CNBB celebrou os 50 anos de sua criação. Foi criado com o objetivo de premiar pessoas e trabalhos jornalísticos cujos objetivos coincidam com as propostas da Igreja no Brasil. Ao dar-lhe o nome de Dom Helder Câmara ao novo prêmio de comunicação da CNBB, a Assessoria de Imprensa quis prestar uma homenagem ao fundador da Conferência dos Bispos do Brasil, reconhecidamente um grande comunicador.
Por quê o o nome dom Helder Câmara para o prêmio de imprensa
Helder Pessoa Câmara nasceu em Fortaleza (CE), no dia 7 de fevereiro de 1909. Com 22 anos, no dia 15 de agosto de 1931, foi ordenado presbítero em Fortaleza. Em 1936, foi para o Rio de Janeiro e, no dia 20 de abril de 1952, foi ordenado bispo auxiliar do Rio de Janeiro. Ajudou a criar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em 1952, e o Conselho Episcopal Latino-americano (Celam), em 1955. Em 1956, fundou a Cruzada de São Sebastião cujo objetivo era construir morada digna para os favelados. Em 1959, fundou o Bando da Providência com o objetivo de atender os pobres. Teve atuação destacada durante o Concílio Vaticano II. Em 1964, torna-se arcebispo de Olinda-Recife (PE) até tornar-se emérito em 1985. Durante o regime militar no Brasil, dom Helder se destaca pela sua posição firme contra a ditadura. Empreendeu muitas viagens no exterior onde denunciava a tortura que se praticava no Brasil. A censura chegou a proibir a imprensa de publicar qualquer pronunciamento de dom Helder. Faleceu no dia 27 de agosto de 1999.
O troféu
O troféu Dom Hélder Câmara de Imprensa traz a escultura de um cajado, símbolo do Pastor. Na Bíblia, a missão do Pastor é proteger e defender a vida das ovelhas, assegurar-lhes pastagem e matar-lhe a sede. O cajado é sua arma para afugentar tudo que ameaça as ovelhas. A Igreja tomou este símbolo para significar a missão do bispo, pastor do povo de Deus. Sua missão é cuidar anunciar a todos a vida trazida por Jesus Cristo.
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