sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

REPASSANDO: Adulão/Desabafo - 3ª Conferência de Cultura do Distrito Federal

DESABAFO DE QUEM AINDA ESTÁ APRENDENDO

Meus amigos,

Queria que vcs todos estivessem aqui no DF para conversarmos pessoalmente!!!

Eu fui convidada gentilmente para participar da 3ª Conferência de
Cultura do Distrito Federal sendo uma das representantes das artes
cênicas do DF.

Essa Conferência tem por um dos objetivos aumentar a participação de
vários segmentos (cultura afro, artistas circenses, hippies, etc.) na
agenda cultural do DF, incluindo dessa vez também os evangélicos.
Então dessa conferência sairão diretrizes para Políticas Públicas
Culturais que serão implementadas nos próximos anos. O que for
estabelecido no DF, muita coisa virará lei e poderá, dependendo do
caso, ser aplicado no resto do país.

Bom... Para mim é tudo novidade porque nunca participei de uma
conferência como essa antes. São várias reuniões. Ontem participei de
uma reunião do segmento dos afro-descendentes. Queridos como a gente
tem que ter maturidade na hora de lidar com pessoas que tenham crenças
diferentes das nossas!! Pensem na cena: afro-descendentes do
candomblé, da umbanda e evangélicos tentando se unir para lutar pelos
seus direitos culturais perante o Governo!!! Que desafio!

 Ontem vi o quanto nós evangélicos criamos um trauma, uma resistência
nas pessoas praticantes de religiões de matriz africana. E a culpa é
nossa mesma!!! Porque não soubemos expressar o que pensamos sobre as
entidades que eles adoram sem ofendê-los. Um problema de comunicação.
Vi isso claramente, o estrago que fizemos. No lugar de aproximarmos as
pessoas a Cristo provocamos uma aversão nelas ao Evangelho. Hoje penso
que Jesus teria feito de uma maneira muito mais amorosa e sábia a
evangelização dessa galera. Oh!!! Como tenho o que aprender!!!
Gostaria que todos vocês estivessem no meu lugar ontem. Essa reunião
foi um tapa na minha cara, para me relembrar o quanto temos que rever
a forma que fazemos nossas peças teatrais O quanto precisamos fazer
peças com mais amor. Precisamos urgentemente rever a maneira que a
gente retrata outras religões para que nossos personagens não ofendam
a crença do outro. Hoje vejo que provavelmente se Jesus tivesse que
escrever uma peça teatral ele não faria como fazemos certos aspectos.
Dá para fazer melhor do que temos feito. Sobre isso falarei mais outro
dia.

Falta amor, falta muito amor na hora de criar peças....

Vi uma cena linda. Uma mãe de santo e uma pastora conversando
amigavelmente. Que luta passou essa pastora para conquistar essa mãe
de santo!!

Bom... Caí de pára-quedas nessa Conferência, nem sei se farei alguma
diferença nela. Minha grande crise é se de fato as igrejas evangélicas
querem que seus artistas tenham contato com a sociedade. Eu fico em
dúvida se vale a pena investir tempo lutando para que o Governo dê
espaço para que expressemos nossa arte.

Vou fazer parte do debate sobre Políticas Culturais Integradas.
Resumidamente quero propor para que seja formada uma comissão que
intermedie o diálogo entre artistas (não apenas evangélicos) e
públicos cujo acesso é restrito, exemplo: abrigos para onde os
Conselhos Tutelares encaminham as crianças em situação de risco;
centro de reabilitação de menores infratores; hospitais; asilos,
escolas, etc.

Meu coração arde por ver mais grupos de teatro fazendo diferença fora
das quatro paredes da igreja. Mas eu confesso que estou tremendamente
desanimada. Primeiro porque eu ainda conheço poucos grupos com
capacidade de desempenharem um bom trabalho nesses lugares; segundo
porque vejo muitas igrejas e grupos de teatro que mal conseguem
enxergar as demandas espirituais e emocionais das suas próprias
ovelhas; grupos que fazem peças acusativas que mais trazem um peso
para a platéia do que levam o amor de Deus. Vejo sempre líderes
reclamando da falta de compromisso dos integrantes das equipes,
pastores ciumentos que não liberam e não apoiam grupos como eles
necessitam para interagirem com a comunidade....

Ah.... meus queridos.... Estou desanimada com o que tenho visto. Acho
que é cansaço emocional meu... Já vivi e presenciei muita coisa
triste, reprovável nos bastidores das igrejas que trabalham com
arte... Eu mesma cometo meus erros, meus tropeços... Tem horas que
canso de mim mesma!!! Orem por mim porque confesso meu cansaço e meus
pecados. Enxergo agora que estou desgastada emocionalmente. Preciso de
verdade de oração. Tem horas que dá vontade de trabalhar sozinha
mesmo!! Mas não é isso que Deus espera, né? Não é postura de soldado!!
Sozinhos não vamos tão longe... Eu preciso de renovo....


 Será que queremos mesmo sair das 4 paredes da igreja? Se nos derem
oportunidade para levar nossa arte para a comunidade, será que o que
temos apresentado glorifica a Deus por meio de um bom testemunho?
Glorifica o nome do Senhor o nosso evangeliquês na arte que só a gente
entende? Glorifica a Deus nosso desejo ardente de mais apresentar a
Lei do que a Graça? E quando ficamos apáticos quanto ao sofrimento da
nossa platéia que nos assiste? Quando simplificamos a dor dos outros
em personagens de estereótipos de pecados? Não sei... De fato não
tenho uma resposta para isso. Não sei ao certo o que de fato é eficaz
ou não no que temos feito até hoje. Mas pelo que eu vejo sinto que
alguma coisa não está como deveria.... Como é bom poder contar com a
misericórdia de Deus, que bom que quem convence do pecado, da justiça
e do juízo é o Espírito Santo...

Eu me pergunto: Será que a arte que eu faço para os outros, se eu que
estivesse na platéia assistindo, me sentiria cercada pelo amor de
Deus? Eu passaria a andar com o Senhor? Minhas próprias peças me
alcançariam? Minhas peças saberiam como me conduzir ao arrependimento
sem apenas gerar um pavor do juízo de Deus? O que eu acho que é bom
para os outros assistirem eu gostaria de assistir se estivesse
precisando desesperadamente de Deus na minha vida?

Sabe....minha maior alegria é ter o prazer de conhecer grupos teatrais
que aprenderam a trabalhar fora da igreja. Acho lindo quando vejo
artistas cristãos, igrejas, criando ONGs, projetos sociais, para que a
sociedade não apenas seja espectadora da arte que fazemos, mas também
tenha espaço para aprender aquilo que Deus nos deu.  Ensinamos nossa
arte apenas para quem já é convertido!!!!!!!!! Nossa arte é voltada
para servir a igreja e não para lavar os pés e servir aqueles que
ainda estão perdidos! Como essa cultura poderia mudar!!! Como eu,
Emiliane, poderia mudar!!!

Fico pensando... para que adianta pleitear perante o Governo
acessibilidade para lugares restritos que o Evangelho não está
chegando, se o que nós já temos em mãos para trabalhar, independente
do Governo, tem ficado subaproveitado? Quantos grupos de teatro,
quantas igrejas, de fato tem mostrado interesse em gastar a maior
parte do tempo trabalhando com os perdidos do que com os que já fazem
parte do rebanho?

Queridos estou escrevendo esse e-mail do começo ao fim em tom de
tristeza e desânimo. Pode ser que em vários estados brasileiros a arte
cênica cristã tenha chegado a maturidade quanto ao evangelismo, mas
aqui onde moro, aqui no Distrito Federal, sinto que temos uma longa
jornada para de fato fazermos diferença na nossa sociedade. Eu tenho
muito o que aprender, eu tenho muito o que fazer, tenho tanto que
buscar ao Senhor....

Vale a pena fazer parte dessa Conferência?

Não sei.... Estou desanimada. Eu que estou errada, não estou? Eu sei
que minhas postura tinha que ser outra.
No meu lugar o que vocês proporiam à Secretaria de Cultura?

Fica meu longo desabafo e meu pedido de oração.

Emiliane Saraiva
emilianesaraiva@yahoo.com.br

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