Estudo sugere relação entre calvície que começa na faixa dos 20 anos e maior risco de desenvolver tumor na próstata no futuro. Trabalho foi publicado na Annals of Oncology (Wikimedia)
Divulgação Científica
Queda de cabelo e câncer de prostata
16/2/2011
Agência FAPESP – Homens que começam a perder cabelo na faixa dos 20 anos podem ter maior risco de desenvolver câncer de próstata no futuro, de acordo com estudo publicado nesta terça-feira (15/2) na revista Annals of Oncology.
A pesquisa, feita na França, comparou 388 portadores de tumores na próstata com um grupo controle de 281 homens saudáveis e verificou que, entre aqueles com a doença a porcentagem daqueles que começaram a ficar calvos aos 20 e poucos anos era duas vezes maior do que nos demais.
Para aqueles cuja calvície começou depois dos 30 ou depois dos 40, não houve diferença no risco de desenvolver câncer de próstada em comparação com o grupo controle.
A alopécia androgênica é a queda de cabelos que afeta principalmente os homens. Cerca de 50% do público masculino será afetado em algum momento da vida. Relações entre calvície e hormônios androgênicos (como a testosterona) são conhecidas, da mesma forma que a relação entre esses hormônios e o câncer de próstata.
A finasterida – medicamento usado no tratamento da calvície – bloqueia a conversão de testosterona em um androgênio chamado dihidrotestosterona, que se estima estar envolvida na queda de cabelos. O medicamento também é usado para tratar câncer de próstata.
Os autores do estudo apontam a relação observada entre a queda de cabelo precoce o risco de desenvolvimento da doença mas ressaltam que os mecanismos por trás dessa associação são ainda desconhecidos.
"Mais estudos são necessários, tanto com maiores grupos como no nível molecular, de modo a encontrarmos as ligações desconhecidas entre hormônios androgênicos, calvície precoce e câncer de próstata", disse Michael Yassa, que na época do estudo estava no Hospital Europeu Georges Pompidou, em Paris, e atualmente é professor na Universidade de Montreal.
"Precisamos também encontrar formas de identificar aqueles que têm mais risco de desenvolver a doença e que poderiam se beneficiar dos exames de diagnóstico. Com isso, poderíamos começar a considerar a prevenção por meio de drogas antiandrogênicas. A calvície precoce pode ser um desses fatores de risco", derstacou Philippe Giraud, professor da Universidade de Paris Descartes, que coordenou a pesquisa.
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