quinta-feira, 18 de novembro de 2010

[STBSEB:5008] memórias pastorais - MEMÓRIAS DE UM RETIRO - 04

 
 
 
 
contando estrelas do mar
o a nossa fogueira
 
MEMÓRIAS
DE UM
RETIRO
capítulo 4

 

A janta foi um tanto light, mas nem por isso minguada. "Carne maluca com pão", uma iguaria Comemos e iniciamos o culto da noite. Sempre repetindo tema, divisa, hino e corinho oficial, o grupo melhora a cada dia a sua qualidade.

 

Então fomos ao momento devocional. Com bíblias à mão o povo foi meditar em Mateus capítulo 6. Cada um em seu lugar. Como da outra vez as crianças foram ajudadas por um adulto, o mesmo de ontem. Vinte minutos depois todos voltaram à garagem-templo.

 

As respostas sobre o que leram foram a contento: jejum, oração, justiça, Reino de Deus etc. Na seqüência, antes que encerrássemos o culto aqui, apresentamos o Plano da Salvação, usando algumas ilustrações sobre o quotidiano e as prioridades da vida. Sílvio Santos, Panamericano e uma vida gasta em coisas que se acabam foram um bom gancho. Ali estavam pessoas que poderiam optar em gastar as suas vidas no acúmulo inútil de bens, na construção de castelos de areia ou investir no Reino de Deus, numa vida de comunhão, adoração, fidelidade e testemunho. No instante do apelo evangelístico duas meninas entregaram suas vidas a Jesus (é o que esperamos): duas gêmeas, a Eliane e a Eliene. Foram momentos que levaram Serginho e Edna às lágrimas, uma vez que são eles que têm gasto a vida, os bens, o tempo e o carinho com essas crianças. Ver uma decisão por Cristo (que pode transformar-se em conversão, mas que só o tempo dirá) é um momento de felicidade.

 

Encerrado esse momento tomamos os quatro violões e fomos para a praia. Da casa até o mar são 3 minutos. A casa fica em frente ao mar. Atravessando a avenida beira-mar basta seguir um pequeno caminho e já se está na praia mesmo. Ali estava o monte de lenha que o pessoal ajuntara à tarde. Segundo o José Manoel, havia pedaços de caravelas, de navios negreiros, de embarcações do descobrimento do Brasil, etc. (exagerado...)

 

Custou pegar fogo. Havia chovido fazia pouco tempo e a madeira estava bem molhada. Um vento forte e frio subia do mar para a ilha. Em vinte minutos conseguiu-se um fogo parcial.

 

Sentamo-nos ao redor do fogo. Cantamos ao Senhor e intercalamos com testemunhos: Oferta de Amor, Vamos Adorar a Deus, Firme nas Promessas, Não olho as circunstâncias etc. Testemunhos como o da minha cura da paralisia facial, o conserto do carro do Serginho, a alegria por estar no retiro, foram algumas das participações. Oramos bastante. Uma das palavras tocantes foi a da Regina, que falou: "esta é uma das mais importantes noites de toda a minha vida; eu nunca havia participado de um culto da fogueira; estou encantada". Ficamos felizes.-

 

Entre parênteses: esse culto da fogueira nada tem a ver com as heresias neopentecostais de cultos esotéricos e pagãos de queimar pedidos ou invocar a divindade. Trata-se de um costume americano de décadas passadas, onde os jovens reuniam-se para passar férias, um feriado, um período num acampamento cristão. Na última noite, como estava muito frio, iam a uma clareira, acendiam uma fogueira e ali, aquecidos pelo fogo, cantavam, oravam, pregavam, faziam apelos missionários e muitas decisões de conversão e de dedicação de vidas aconteciam. Missões como Palavra da Vida, Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo foram responsáveis em trazer o costume aos crentes brasileiros. Fecho parênteses...

 

Fizemos todo o culto com meia fogueira, isto é, metade não queimara. Mas enquanto orávamos terminando, as madeiras desabaram e aí o fogo ficou "da hora", bem alto e quente. Coisas bacanas para não esquecermos. Voltamos e tomamos chá com bolachas (biscoitos para quem não é paulista).

 

Os jovens continuaram com seus violões e cantavam. O Rafael, ex-membro de nossa igreja, estava conosco. Há poucos dias, trabalhando como marceneiro, viveu um terrível acidente. Enquanto usava uma máquina para cortar madeira houve um deslize e a mesma veio e cortou um de seus dedos, danificando também a mão. Correram com ele para o hospital. Lá o médico lhe disse: "xiii, cara, seu dedo já era!!". Ele ficou muito triste. Um outro médico apareceu e o Rafinha disse: "doutor, não dá pro senhor colar o dedo pra mim, não? É que eu toco violão e sem ele vai estragar tudo". Ele respondeu: "sei não, cara,vou tentar". Tempos depois voltou à enfermaria e disse: "cara, consegui colar seu dedo, tá? Se vai funcionar eu não sei, mas está coladinho". Rafa então foi conosco com a mão enfaixada. Eu disse tudo isso porque agora, depois do culto da fogueira, estavam a Larissa e ele tocando juntos o violão, ele com a mão boa, fazendo o ritmo e a Larissa mudando as posições no braço do violão. Isso é que é parceria! E detalhe: tocavam para Deus...

 

Agora chegara a hora angustiante para mim. A noite anterior fora péssima. Eu lutara como um titã contra os pernilongos. Mas agora estava munido de um tubo inteiro de inseticida. Ou eu morreria lutando ou eles morreriam por cheirar tanto inseticida. Foi o que fiz: Cheguei ao meu quarto e infestei cada canto com aquele fedor terrível. Eu quase morri (exagero...).

 

Contudo, tão logo eu parei de baforar meu veneno escutei um barulho na porta do quarto: era uma cantoria: "Uma palavra perdida já quase esquecida me fez despertar..." Era a juventude que viera fazer uma serenata para mim. Que lindinhos! Deixei-os entrar para que sentissem o leve odor de lavanda que eu deixara empesteado no ar. Cantaram e me abraçaram. Depois foram à casa onde estavam os adultos para fazer o mesmo. Não eram casas próximas. Talvez um quilômetro entre as três. Mas para jovens não há tempo ruim.

 

Finalmente uma noite bem dormida, ainda que meu beliche fosse de cimento e a umidade me doesse nos ossos. Não sobrara um mosquito ou pernilongo sequer! Aleluia!

 

Amanhã conto o resto.

 

Ilha Comprida, 15 de novembro de 2010, madrugada.

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