quarta-feira, 17 de novembro de 2010

[STBSEB:5002] memórias pastorais - MEMÓRIAS DE UM RETIRO - 03

 
 
 
 
um barco numa foto da Elaine
o barco ampliado daquela foto
transformado em óleo sobre tela.
 
MEMÓRIAS
DE UM
RETIRO
capítulo 3

 

Que dia! Aliás, que noite! Quem disse que consegui dormir? Uma sinfonia de pardais, ops, de pernilongos no meu quarto. Nem terminava a carreira de um aparecia outro, e outro, cada um num tom diferente e com uma picada mais dolorida que a do outro. Sem inseticida, sem tela na janela e sem paciência, levantava e deitava. Até que o sol nasceu, pondo fim à minha batalha hercúlea.

 

Elaine convidou-me para ir consigo na padaria. Mas foi um "presente de grego" essa caminhada: o que ela queria era um burro de carga, que trouxesse para ela a caixa com os esperados pães. Foi um bom café.

 

Em seguida limpamos tudo e voltamos ao clima de gincana de nossa garagem.

 

Um detalhe importante: quatro violões tocando iguaizinhos o hino "Jesus, Pastor Amado" e o corinho "Cativar". Ficou muito lindo. Enquanto cantávamos um homem, Sr. Fernando, que passava de bicicleta, ouviu-nos e parou. Convidamo-lo a entrar. Ele sentou-se. O Serginho foi o preletor. Uma belíssima palavra sobre entregar tudo ao Senhor e receber de forma muito melhor e abundante da parte de Deus. Realmente foi um privilégio.

 

A seguir, começamos com as tarefas. Antes, contudo, 10 minutos para prepará-las. Enquanto isso, uma boa conversa com o Sr. Fernando. Disse-nos ter se sentido tocado pelo poder de Deus enquanto nós cantávamos. Conhecia o evangelho, já era um aposentado, um olho vazado, 40 anos de vida com aparência de 60 e escravo do álcool. Oramos por ele. Falamos-lhe do poder de Deus que liberta os escravos pela Sua Palavra. Na oração ele emocionou-se. Agradeceu muito e prometeu pensar no assunto. Que assim seja!

 

Na primeira tarefa a disputa começou acirrada: Grupo "Luz da Ilha" e Grupo "Nóis Capota Mas Não Breca". Cômicos foram os seus gritos de guerra e a música que compuseram. No teste de torcida aprenderam a gritar como ninguém!

 

Mais dez minutos e estavam prontos para apresentar a segunda tarefa: uma parábola encenada. Eu realmente fiquei impressionado com a qualidade do trabalho. Em ambas a criatividade esteve em alta e a valorização da Palavra foi total. Claro que ambos foram pontuados.

 

A seguir tivemos o "Traga a Palavra". Era pra ser do tipo "eu sou o pão da vida" e deveriam correr e trazer pão. Mas queríamos que todos participassem, e no mar. E assim foi. Pegamos um versículo onde havia "estrela" e decidimos que ganharia o grupo que pegasse um número maior de estrelas do mar (do tipo bolacha, fáceis), em dez minutos. O "Luz da Ilha" conseguiu 527 e o "Nóis Capota Mas Não Breca" 460. O "Nóis Capota" perdeu, claro. Depois foram devolver ao mar aquelas criaturinhas vivas.

 

Mas algo tornou o grupo motivo de chacota, pelo nome que tomou. Enquanto seguiam para a praia (e a caminhada para atravessar a rua e chegar à água é de 3 minutos) o menino Bruno resolveu tomar um atalho. Infelizmente não foi feliz e caiu num canal, quase se afogando. Seu pai, preocupado, foi tentar salva-lo. E caiu também. Agora pai e filho clamavam por ajuda. Não foi muito fácil, mas conseguiram tirar os dois do buraco. Resultado: "batizaram" e honraram o nome: eles "capotaram, mas não brecaram".

 

Molhados e com frio (o sol havia acabado de aparecer em meio ao mormaço), pediram para fazer só mais uma tarefa. E fizeram: a experiência científica. O "Luz da Ilha" apresentou uma vela acesa que se apagou quando coberta por um copo; o "Nóis Capota" apresentou uma mistura de vinagre e detergente, com bicarbonato de sódio, um grande transbordo.

 

Mais um tempo livre e a turma voltou à praia. O tempo firmou-se e o sol consagrou-se como fator do dia. O almoço agora estava nas hábeis mãos das irmãs, encabeçadas pela Regina, cozinheira de primeira categoria. De fato a carne com batatas, acompanhada de arroz e salada foi um primor.

 

Mais uma tarde livre, reprisando o bom aproveitamento da manhã.

 

Teríamos que celebrar o tradicional "Culto da Fogueira", junto à praia, com pregação e canto, mas o nosso ajudante, Sr. Antonio, não foi encontrado. Pensei: não vai dar. Mas a Elaine juntou os homens dos grupos e num instante acharam lenha jogada na praia, suficiente para fazer uma bela fogueira. Está lá, na areia, esperando para ser acesa. E o será, tão logo jantemos, façamos a devocional e iniciemos o culto.

 

Então o resto não posso contar, pois ainda não aconteceu. Quando acontecer eu contarei.

 

Até depois!

 

Ilha Comprida, 14 de novembro de 2010, 20:29 horas

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