DÁ-ME UM CORNETTO
Quem não se lembra do comercial da GELATO, onde um italiano cantava em alto e bom som: DÁ-ME UM CORNETTO!
Pois é. A Gelato fechou, foi vendida, talvez pelo preço de uma viagem de Gôndola: CEM EUROS... Sim, é isto mesmo: CEM EUROS para dar uma volta ao redor da cidade!
Eu, quando vi o preço, quase me afoguei mesmo estando fora da água.
Agora eu posso escrever e achar graça. Mas na hora...
Mas vamos à história (não é estória...)
Era bem cedo, pegamos quase o primeiro metrô. Fomos até a estação de trem que o Mussolini construiu ainda na época da segunda guerra mundial. Coisa faraônica mesmo.
Pegamos então o trem para VENEZIA.
As estações eram boas, mas comuns. Passamos por INOCENZA, DESENZANO, PADOVA (Santo Antonio de Pádua e Romeu e Julieta), VERONA, MESTRE.
FEDIDO EU???
O trem lotou até as pessoas ficarem de pé. Em Verona entraram muitos estudantes. Os dois lugares vagos (os bancos são um de frente pro outro) receberam dois adolescentes. Mas (meu Deus), a moça que sentou-se ao lado do Sérgio estava com o cabelo empastado; e o rapaz que sentou-se ao meu lado, com ares de galã, cheirava a brilhantina e suor.
Quando terminou a viagem o Sérgio disse: "Pastor, eles estavam falando veronês, um dialeto. Mas eu compreendi. Eles diziam que o trem estava fedendo com a presença de estrangeiros, dessa gentalha alemã, japonesa, indiana, que eles é que tinham direito de sentar nos lugares, pois que eram do país, etc..." Fiquei perplexo e muito triste. Pensei: "Ah, meu Brasil brasileiro, que acolhe a todos e que não lança em rosto..."
CAOS NA MULTIDÃO
Tínhamos um bilhete de volta, mas faltava um. Quando vimos a multidão de gente pra voltar, filas que entravam e saiam da estação, máquinas de passagem eletrônica e filas e mais filas, a nossa vontade era de sair e retornar imediatamente. Já estava chateado com o acontecido no trem, agora mais essa. Bom, em 50 minutos o Sérgio conseguiu comprar o regresso, pelo DOBRO do preço que a primeira passagem foi paga, quase 40 euros...
Estávamos com fome. Procuramos então um lugar pra comer. Os cardápios estavam afixados na porta. Vimos ali uma padaria com umas mesinhas. Lanches de mortadela e de salaminho por 4 euros. Eram os mais baratos. Decidimos sentar e comer.
Bem, repetimos. Tomamos refrigerante. Na hora do pagamento, pensamos que no máximo gastaríamos 18 euros para os dois. 34!!! Eu quis saber o que era aquilo, se nós tínhamos comido pouco e de preço muito diferente. Daí a resposta: "12 EUROS POR TEREM SE SENTADOS E 6 DE SERVIÇO"... Olhei pro Sérgio e disse: "rapaz, você mora na Itália e não sabia disso???" Ele disse: "Mas não tinha nenhum aviso..."
Ah, DOZE EUROS CAROS, como doeram! Foi a sentada mais cara da minha vida. Eu quis continuar sentado pro resto do dia pra compensar. Mas tinha que andar pela cidade pra compensar todo esse preço...
Ainda bem que tiramos a foto ANTES de pagar. Senão a cara seria outra.
Andamos pelas ruelas da cidade. Não discuto o chão da cidade, mas a água é apenas nos canais, que a atravessam; as casas estão construídas em solo mesmo. é como riozinhos que atravessam a cidade. As ruas são muito pequenas, às vezes estão no meio de residências, muitas lojas de jóias e de figuras do carnaval veneziano (eu não vi nenhuma loja com venezianas...), etc. Há igrejas antiquíssimas, mais antigas que o meu país. Tirei muitas fotos e andei muito.
NAVEGAR É PRECISO - MAS É MUITO CARO - ENTÃO DEIXA...
Fomos ver o preço dessas pequenas embarcações. Quando ouvimos 100 EUROS, quase choramos. Como é possível??? Daí veio um casal em lua-de-mel, passeando. O gondoleiro não estava uniformizado e falava de futebol com outro que estava parado. Coitado do casal, serviço incompleto.
E NINGUÉM CANTOU "DÁ-ME UM CORNETTO!!!"
Eu cantei:
"DÁ-ME UM DESCONTO", e quase apanhei.
Fomos embora às dez pras duas. Queríamos sair logo, estávamos cansados (e sem 12 euros...). O Sérgio credenciou os bilhetes, perguntou ao responsável pelo trem se aqueles bilhetes davam pra ir, disse que sim. Eu olhei bem o trem, avaliei, e disse ao Sérgio: "Sérgio, esse trem tem muita areia pro nosso caminhão..."; "não, pastor tá tudo bem...". Bom, então tá. Fomos de trem bala.
No caminho o bilheteiro veio e analisou o bilhete do Sérgio. De repente veio um sermão, e não era pastoral. Ele falou, falou, falou, o Sérgio respondeu, respondeu, respondeu, as pessoas olharam, olharam, olharam, e eu NÃO ENTENDI NADA.
Depois pegou o meu bilhete e virou-se pro Sérgio e começou tudo de novo...
Pensei: ele vai nos jogar do trem....
Mas o Sérgio pagou uma diferença e ficou o dito pelo não dito, sem o são benedito. Só o são euro...
O Sérgio disse que as nossas passagens eram de segunda classe e nós pegamos o trem de primeira (estava na cara...). Mas como éramos turistas ele não iria nos jogar pela janela, desde que pagássemos um pouco de diferença. Mais euros...
UMA VOZ BRASILEIRA!!!
AH, É MÚSICA!!!
No trem havia um rapaz conversando com outro e de repente falou: "rapaz...". Eu somei o RAPAZ ao sorriso brasileiro e gritei: tem brasileiro neste trem... pronto: bastou. Dois brasileiros já se aproximaram, sorriram, conversaram conosco. Como sou agradecido a Deus pelo meu país!!!
Bom, meus amigos, procurei seguir com bom humor a minha visita a Veneza. Não foi um dos melhores passeios, mas foi inesquecível. Houve excelentes momentos e eu agradeço a Deus por cada instante. Obrigado por lerem meu relato não muito formal.
Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco SP
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