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| Saiba morrer o que viver não soube Bocage Meu ser evaporei na lida insana do tropel de paixões que me arrastava. Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava em mim quase imortal a essência humana. De que inúmeros sóis a mente ufana existência falaz me não dourava! Mas eis sucumbe Natureza escrava ao mal, que a vida em sua origem dana. Prazeres, sócios meus e meus tiranos! Esta alma, que sedenta e si não coube, no abismo vos sumiu dos desenganos. Deus, ó Deus!... Quando a morte à luz me roube ganhe um momento o que perderam anos saiba morrer o que viver não soube. Saiba descer o que subir não soube
Meus dias consumir de terra em terra, em banquetes com reis todos os dias; comigo a pança encheu também Tobias na Alemanha, na França, na Inglaterra... Oh! secretário que tão bem comias! Não sejas mole: dente agudo ferra na própria língua, que ainda agora encerra o chorume daquelas iguarias! Marinhas (1), meu nego, se tu visses o que de bom nesta barriga coube, é impossível que ao pranto resistisses. Quando o Rio a Petrópolis me roube (2) desça o trem com finas gulodices, saiba descer o que subir não soube! (1) - Conselheiro Marinhas, amigo íntimo do presidente Campos Sales (2) - Crítica às freqüentes viagens do Presidente Campos Sales a Petrópolis, durante o verão. Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805), nasceu em Setúbal, Portugal. É o mais famoso dos satíricos e o mais popular dos poetas portugueses. Sua inspiração não foi só erótica e passional; também cantou sentimentos graves, "a desesperança e o lento gosto da morte", em que atinge muitas vezes o sublime. Mas sua vida desregrada, além de arruinar-lhe a saúde, tornou desigual a sua vasta obra. É um dos melhores sonetistas da língua portuguesa. Olavo Bilac, além de poeta parnasiano, cronista, contista, conferencista e autor de livros didáticos, deixou também na imprensa do tempo do Império e dos primeiros anos da República vasta colaboração humorística e satírica, assinada com os mais variados pseudônimos, entre os quais os de Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., assinando, em outras vezes, o seu próprio nome. Nascido no Rio de Janeiro a 16 de dezembro de 1865, foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, em que ocupou a cadeira nº. 15, que tem Gonçalves Dias por patrono. No seu principal livro, "Poesias", incluiu Bilac alguns sonetos satíricos , sob o título de "Os Monstros". Escreveu livros em colaboração com Coelho Neto, Manuel Bonfim e Guimarães Passos, sendo que, com este último, o volume intitulado "Pimentões", de versos humorísticos. Os sonetos acima foram extraídos do livro "Humor e Humorismo - Paródias", Editora Brasiliense - São Paulo, 1961, organizada por Idel Becker, págs. 296 e 298. [ Voltar ] RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUAL Copyright © 1996 PROJETO RELEITURAS. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. |


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